Manutenção em módulos fotovoltaicos em telhados sem espaçamento

Técnica simples e barata permite a manutenção e limpeza de sistemas fotovoltaicos sem necessidade de corredores entre fileiras.

Plataforma para mantenção de telhados fotovoltaicos com módulos justapostos e sem passarelas.

Nas instalações fotovoltaicas em telhados é muito comum nos depararmos com situações em que são difíceis os serviços de manutenção e limpeza, principalmente quando não existe espaçamento entre as fileiras de módulos.

Muitas vezes a forma de instalação dos módulos fotovoltaicos não permite que o instalador caminhe entre eles – e caminhar

sobre eles não é permitido em nenhuma circunstância.

Pensando nisso, uma solução simples, barata e muito eficiente foi criada foi criada por pesquisadores do Laboratório Fotovoltaica UFSC da Universidade Federal de Santa CatarinaTrata-se de uma tábua de madeira, com cantoneiras metálicas, que funciona basicamente como uma plataforma elevada.

O instalador posiciona esta plataforma sobre os módulos, sem contato com eles, de forma que as cantoneiras se apoiam sobre os perfis estruturais (e não sobre as molduras dos módulos).

Assim, ele tem liberdade para movimentar-se sobre o sistema sem danificar os módulos fotovoltaicos.

Detalhe da fixação da plataforma sobre um módulo fotovoltaico.

Do ponto de vista elétrico, esta técnica apresenta muitas vantagens. De acordo com Marília Braga, engenheira eletricista, doutoranda e pesquisadora do Laboratório Fotovoltaica UFSC, os problemas mais comuns e graves encontrados em sistemas fotovoltaicos integrados a telhados são justamente pontos quentes causados por trincas nas células fotovoltaicas, que geralmente surgem ao se pisar nos módulos.

Muitos instaladores se enganam ao achar que podem pisar nos módulos. O vidro da parte frontal é, de fato, resistente e não

se quebra facilmente.

Contudo, no caso de módulos tradicionais de silício cristalino, as células fotovoltaicas encapsuladas ali dentro são muito finas e nada flexíveis, o que as torna muito sensíveis e pouco resistentes a esforços mecânicos; ou seja, fáceis de quebrar.

A solução mostrada nas imagens, além de acessível pelo seu baixo custo, permite a manutenção adequada do sistema fotovoltaico mesmo em instalações nas quais as fileiras de módulos são instaladas muito próximas, sem espaços livres no telhado.

 

 

Atenção aos cuidados necessários

Como em qualquer serviço de instalação ou manutenção em sistemas fotovoltaicos, é importante ressaltar que os operadores precisam usar EPIs adequados e seguir todas as normas de segurança.

Além disso, a plataforma, que funciona como uma “ponte” entre as duas bordas do módulo, precisa ser confeccionada com madeira de espessura adequada e resistente ao peso de uma pessoa, assim como as cantoneiras metálicas.


Artigo publicado no portal Canal Solar, por Clarissa Debiazi Zomer, em 12 de novembro de 2021.

Colaboração de Marília Braga, Engenheira Eletricista, doutoranda e pesquisadora do Laboratório Fotovoltaica UFSC

Acesse o artigo no Canal Solar AQUI.

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No projeto Sungarden, em Florianópolis/SC, o sistema fotovoltaico foi concebido como parte integrante da arquitetura desde a concepção inicial, pelo Arquiteto Thiago Dorini, posicionando o empreendimento da Antoniolli Engenharia como uma referência pioneira em BIPV residencial e comercial no Brasil.

O desejo da Antoniolli Engenharia era claro: explorar a integração fotovoltaica desde o início do projeto arquitetônico, utilizando diferentes características e funcionalidades da tecnologia solar de forma estratégica, funcional e coerente com o conceito do empreendimento.

Consultoria de Arquitetura Solar

O principal desafio esteve em equilibrar essa ambição tecnológica com a linguagem arquitetônica desejada. O projeto deveria manter um aspecto moderno e acolhedor, característico de um edifício residencial, ao mesmo tempo em que incorporava elementos naturais da região, como pedra e madeira, evitando uma estética excessivamente tecnológica. Somava-se a isso a necessidade de utilizar a tecnologia fotovoltaica de forma funcional, agregando economia ao projeto e considerando a perspectiva de crescimento vertical nos terrenos vizinhos, que poderia impactar a disponibilidade solar ao longo do tempo.

Diante desse cenário, foram realizados estudos detalhados de insolação, sombreamento e simulações energéticas, que orientaram a definição das superfícies mais adequadas para geração e a escolha das tecnologias fotovoltaicas, sempre buscando a otimização do desempenho energético sem comprometer a experiência arquitetônica.

A solução adotada combinou estratégias complementares de integração. Brises fotovoltaicos foram instalados na fachada noroeste, atuando simultaneamente como elemento de controle solar e superfície geradora. No terraço, foi projetado um pergolado com módulos fotovoltaicos semitransparentes, qualificando o espaço de uso e garantindo iluminação natural. Além disso, a laje foi aproveitada ao máximo como superfície geradora, contribuindo para a otimização da produção de energia.

Com essa abordagem, o sistema atingiu uma potência instalada total de 50 kWp, com geração média estimada de 4.198 kWh/mês, o que representa cerca de 50.380 kWh por ano.

O projeto BIPV do Sungarden contou com a parceria da Garantia Solar BIPV no desenvolvimento de soluções estéticas, funcionais e eficientes, alinhadas às demandas específicas da obra, conforme as análises e o projeto desenvolvidos pela Arquitetando Energia Solar.

O resultado demonstra que, quando a integração da energia solar é planejada desde a concepção do projeto, é possível alcançar edificações que harmonizam estética, funcionalidade e eficiência energética.

O Sungarden exemplifica como a Arquitetura Solar pode elevar o design original, transformar a tecnologia em parte ativa da arquitetura e impulsionar a inovação no mercado imobiliário, gerando benefícios duradouros para moradores, incorporadores e para o meio ambiente.

Artigo

Este projeto foi objeto de estudo em um artigo científico publicado na Revista Pv Magazine e pode ser acessado clicando AQUI.