Não é desprezível o consumo das edificações tanto durante sua construção quanto ao longo de toda sua vida útil. De acordo com o Balanço Energético Nacional de 2020, 52% da energia elétrica consumida no Brasil foi utilizada por edificações dos setores residencial, comercial e público. Na busca por um futuro mais sustentável, é preciso repensar o edificar para tornar a arquitetura mais eficiente energeticamente.

Projeto Sungarden (Florianópolis - SC), um edifício multifamiliar de uso misto com integração de energia solar em brises, pergolado e laje. Projeto do Arq, Thiago Dorini e Antoniolli Engenharia, com consultoria em Arquitetura Solar da Arquitetando Energia Solar.
Neste contexto, a arquitetura solar está se tornando uma tendência mundial. Os avanços na tecnologia fotovoltaica aumentaram significativamente a eficiência dos módulos e a estética está cada vez mais atraente para a integração arquitetônica. Suas variadas cores, níveis de transparência e formas possibilitam composições que agregam beleza e economia de energia. A geração energética ocorre de forma distribuída e junto a carga, minimizando perdas por transmissão e distribuição inerentes a grandes centrais geradoras.
Aqui estão os receios mais comuns:
Tais temores são compreensíveis. De fato, dá medo de apostar no desconhecido. Mas a tecnologia já está madura o suficiente e já há muito sistema fotovoltaico instalado. Além disso, é possível buscar o conhecimento através de cursos ou contratar uma consultoria especializada.
Assim, elimina-se também o medo de usar errado. Não existe apenas um modo de usar os módulos fotovoltaicos. Pelo contrário, há muitas opções em que os módulos apresentam um alto desempenho energético, mesmo sem estar idealmente orientados (ao norte, com inclinação igual à latitude local).
E é justamente isso que elimina o terceiro medo, o de comprometer a estética arquitetônica. Existem soluções incríveis para fachadas, pergolados, brises, sheds, coberturas planas ou até curvas. Não há limites para a criatividade! Mas aí temos o quarto medo: o sombreamento.
Sim, o sombreamento interfere na geração energética. No entanto, muito avanço nesta área já foi feito e hoje é possível escolher tanto módulos quanto inversores mais adequados a cada padrão de sombreamento, tais como módulos half-cell, inversores com múltiplos MPPT, otimizadores, ou ainda, microinversores.
E, por fim, tem-se o medo dos custos. O investimento inicial é, de fato, o maior custo de um sistema fotovoltaico. No entanto, é importante destacar que ele é praticamente o único também. Além disso, os custos vêm caindo, com custos por m² inferiores a outros materiais de revestimento, ao passo que o custo da energia convencional aumenta. Atualmente, o payback está em torno de 5 anos, gerando lucro por, pelo menos, 20 anos.
Diante do exposto, não faz mais sentido projetar uma nova arquitetura sem energia solar. O melhor momento para pensar na integração é durante a fase de concepção de projeto. Mas, para que a combinação tecnologia fotovoltaica + arquitetura gere sistemas comprometidos com sua estética e seu desempenho energético, é fundamental que os projetistas se familiarizem com a tecnologia e conheçam os impactos de suas decisões.
Neste contexto, torna-se fundamental o trabalho em parceria. O trabalho realizado por uma equipe multidisciplinar tende a abordar diferentes aspectos de um projeto e pode ser o diferencial de uma empresa. O olhar do arquiteto irá propor uma integração harmônica, o conhecimento dos engenheiros civis e eletricistas será fundamental para propor soluções que otimizem a geração energética, enquanto a experiência do instalador poderá trazer soluções de fixação e facilitar a montagem, na prática. É, portanto, preciso saber valorizar a bagagem que cada um trás e incorporá-la com eficiência em um projeto em comum.
Afinal de contas, o futuro da arquitetura é solar e o futuro da solar é a arquitetura.
Revista Fotovolt - por Clarissa Debiazi Zomer, Rodrigo Sauaia e Ronaldo Koloszuk, publicado em 26/10/2021.
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No projeto Sungarden, em Florianópolis/SC, o sistema fotovoltaico foi concebido como parte integrante da arquitetura desde a concepção inicial, pelo Arquiteto Thiago Dorini, posicionando o empreendimento da Antoniolli Engenharia como uma referência pioneira em BIPV residencial e comercial no Brasil.
O desejo da Antoniolli Engenharia era claro: explorar a integração fotovoltaica desde o início do projeto arquitetônico, utilizando diferentes características e funcionalidades da tecnologia solar de forma estratégica, funcional e coerente com o conceito do empreendimento.
Consultoria de Arquitetura Solar
O principal desafio esteve em equilibrar essa ambição tecnológica com a linguagem arquitetônica desejada. O projeto deveria manter um aspecto moderno e acolhedor, característico de um edifício residencial, ao mesmo tempo em que incorporava elementos naturais da região, como pedra e madeira, evitando uma estética excessivamente tecnológica. Somava-se a isso a necessidade de utilizar a tecnologia fotovoltaica de forma funcional, agregando economia ao projeto e considerando a perspectiva de crescimento vertical nos terrenos vizinhos, que poderia impactar a disponibilidade solar ao longo do tempo.
Diante desse cenário, foram realizados estudos detalhados de insolação, sombreamento e simulações energéticas, que orientaram a definição das superfícies mais adequadas para geração e a escolha das tecnologias fotovoltaicas, sempre buscando a otimização do desempenho energético sem comprometer a experiência arquitetônica.
A solução adotada combinou estratégias complementares de integração. Brises fotovoltaicos foram instalados na fachada noroeste, atuando simultaneamente como elemento de controle solar e superfície geradora. No terraço, foi projetado um pergolado com módulos fotovoltaicos semitransparentes, qualificando o espaço de uso e garantindo iluminação natural. Além disso, a laje foi aproveitada ao máximo como superfície geradora, contribuindo para a otimização da produção de energia.
Com essa abordagem, o sistema atingiu uma potência instalada total de 50 kWp, com geração média estimada de 4.198 kWh/mês, o que representa cerca de 50.380 kWh por ano.
O projeto BIPV do Sungarden contou com a parceria da Garantia Solar BIPV no desenvolvimento de soluções estéticas, funcionais e eficientes, alinhadas às demandas específicas da obra, conforme as análises e o projeto desenvolvidos pela Arquitetando Energia Solar.
O resultado demonstra que, quando a integração da energia solar é planejada desde a concepção do projeto, é possível alcançar edificações que harmonizam estética, funcionalidade e eficiência energética.
O Sungarden exemplifica como a Arquitetura Solar pode elevar o design original, transformar a tecnologia em parte ativa da arquitetura e impulsionar a inovação no mercado imobiliário, gerando benefícios duradouros para moradores, incorporadores e para o meio ambiente.
Artigo
Este projeto foi objeto de estudo em um artigo científico publicado na Revista Pv Magazine e pode ser acessado clicando AQUI.